
Percebemos que nem é preciso levar o televisor até a sala de aula para que a TV esteja presente na escola, pois a cultura televisiva surge em comentários entre alunos e professores sobre determinados programas e personagens. Algum desenho de preferência das crianças, um fato bom ou ruim destacado pelos telejornais, uma competição esportiva do momento e até mesmo cenas de um capítulo de novela são exemplos de como a programação televisiva apresenta-se em outros momentos que não somente naqueles em que se assiste a ela.
A TV, assim como todos os outros meios de comunicação tem seu lado bom e seu lado ruim. Mesmo para se produzir “besteiras” ou comerciais que induzem as pessoas a comprarem algo ou a seguirem determinada tendência, há toda uma estrutura formada por pessoas dedicadas e talentosas no que fazem.
Pensa-se também que esta cultura televisiva é inútil e que, até mesmo, chega a atrapalhar o bom andamento da aprendizagem escolar. Quando muito, ao se falar em TV na escola, pensa-se em programas “educativos”, no sentido mais tradicional do que se entende por este termo, desconsiderando-se que “educativo” pode ser tudo e qualquer coisa presente no meio social, inclusive na TV, a depender das relações que se estabeleçam com ela.
Neste sentido é que a TV presente na escola passa necessariamente pela ampliação da consciência de todos – educadores e educandos – de que as informações disponíveis nos meios de comunicação fazem parte do processo de construção de conhecimentos, embora, na maioria das vezes, de forma inconsciente e até inconseqüente. Por isso, contemplar a programação televisiva para a pauta educativa das escolas requer alguns exercícios por parte dos educadores para que viabilizem processos de ensino e aprendizagem positivos.
Será que a maior parte dos professores realmente tiram proveito do vêem na TV? Será que assistem programas educativos? Selecionam as informações ou acreditam em tudo que é noticiado pelo principal telejornal do país? Ou será que simplesmente a grande maioria prefere ver a final do BBB?
Acho que já passou da hora de acabarmos com outro tipo de analfabetismo: o das imagens. E esse infelizmente, ataca professores e alunos de uma forma geral. Claro que há exceções. É preciso interpretar e pensar criticamente sobre a TV e sobre sua programação.
Assim, o professor deve ser o mediador de um processo no qual o aluno deverá pensar criticamente sobre o que vê.